
Welcome, true believers!!!
Na última postagem eu disse que trataria de uma comparação entre duas HQs nacionais. De uma delas eu gostei bastante, a outra me decepcionou um bocado. Mas acabei deixando essa idéia pra lá por causa de um defeito meu: eu posso não ter gostado da segunda revista, mas tenho um sério problema quanto a falar mal das coisas. Primeiro porque fico pensando se a pessoa que a escreveu não vai ficar chateada (o que chega a ser pretensioso da minha parte, é verdade), e segundo porque eu não sei se faria melhor. Então, deixemos esse assunto pra lá, e vamos falar de outra coisa.
Essa semana, conversando com um amigo, me lembrei de uma história antiga do Zé Carioca que eu li quando criança. Nessa HQ o papagaio estava desgostoso por estar perdendo sua lábia, sua ginga, sua malandragem. Já não conseguia mais levar ninguém na conversa, nem passar a perna em cobrador. Foi aí que seu amigo Nestor (cá pra nós, o Nestor é um corvo ou um urubu?) lhe indicou a solução: se consultar com Mestre Jeremias! Mestre Jeremias era simplesmente o maior malandro carioca de que já se teve notícias, então Zé decide procurá-lo para umas aulinhas de reciclagem.
Encontrar o Mestre não foi nada fácil, pois seu barraco ficava no topo da favela, lá no alto de um morro muito íngreme. Depois da escalada o Zé bate na porta do barraquinho e é recebido por um cara meio estranho, usando uniforme. "Mestre Jeremias?", ele pergunta. "Não, eu sou o ascenssorista." Pois é, o barraco era só a entrada pro elevador que levava à mansão do Mestre, DENTRO do morro! Daí em diante tudo fica ainda mais maluco, as aulas são todas muito engraçadas (lembro do Zé aprendendo a se disfaçar de CINZEIRO para fugir de cobradores). O fim da história pode até ser meio previsível, mas valeu boas risadas, com o Mestre procurando pelo Zé na Vila Xuripita: depois da reciclagem o papagaio retorna à boa forma de tal maneira que dá o calote no Mestre Jeremias e se manda sem pagar o treinamento.
Lá se vão pelo menos uns 15 anos desde que eu li essa revista, mas a história foi inesquecível. Do mesmo jeito que não me esqueço das histórias do Peninha (minhas preferidas eram aquelas em que ele trabalhava como escritor de histórias em quadrinhos para o suplemento do jornal "A Patada", do Tio Patinhas), as do Urtigão (que era um caipira rabugento, de barba longa e branca), e muitas outras produzidas pelos estúdios da Editora Abril em boa parte dos anos 80 e 90. Quem foi criança nessa época sente saudade.
Fim da sessão nostalgia. See ya.