quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Heróis de luto

Após um tempão sem atualizar o blog, escrevi um texto longo analisando uma série de quadrinhos, e tal, para postar hoje. Só que fui surpreendido por uma notícia muito chata: a morte de Eugênio Colonnese no dia 8 de agosto. Vejam a notícia completa clicando aqui.

Minha admiração por Colonnese começou assim que iniciei minha pesquisa sobre quadrinhos nacionais para a criação do Brasilverso RPG. Fiquei fascinado por seus desenhos - especialmente no que diz respeito a mulheres bonitas. Tanto que o meu primeiro post tratou de uma de suas criações, a mulher-vampiro Mirza.

O toque mágico do desenhista pode ser conferido em seus trabalhos com vários heróis brasileiros, como Mylar, X-Man e Escorpião, e nas revistas de terror Calafrio e Mestres do Terror.

Sem dúvida, a perda de um grande artista.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Em louvor da glória!!!


Saudações, super-leitores. Depois de algumas dificuldades técnicas (o trabalho de um vigilante não deixa muito tempo livre), eis que o Coelho Branco volta à sua toca.


São Paulo é uma das maiores cidades do mundo. Com toda sua imponência, a terra da garoa não poderia deixar de contar com um herói a sua altura. Este cargo é bem ocupado pelo Capitão São Paulo, campeão da metrópole que nunca dorme!

Nós brasileiros cultivamos a fama de fazer piada sobre tudo - especialmente sobre nós mesmos. A equipe Mondo Vazio, responsável pelas animações do Capitão São Paulo, tira nota 10 nesse quesito. Os desenhos animados do herói brincam com diversos elementos tipicamente paulistanos - o "supercarro" que não pode sair da garagem por causa do rodízio é apenas um dos meus preferidos.


São ao todo (pelo menos até agora) 10 animações, contando os trailers, em que o vingador contracena com personagens hilários, como a empregada Adelaide e Carol, a namorada ciumenta. Não podemos esquecer do perigoso Barão Moóca, o grande vilão cujo objetivo principal é dominar a Zona Leste, o Cambuci e o Ipiranga. Os desenhos animados são pontuados ainda por diversas referências nerd, que não vou entregar aqui para não estragar a surpresa. Tudo com muito sotaque, meu.


Mas o site do Capitão São Paulo traz ainda outras atrações: os desenhos de Gilson, o Chatão e de Jimmy Jazz (cara, que coisa louca é aquela?). Ah, e meus favoritos, os desenhos do Bátchmãm!!! É impressionante como a voz do dublador do morcegão é idêntica à do Márcio Seixas, que faz a voz do Batman nos desenhos da Liga da Justiça. Se aceitam um conselho, vão direto a "Puto com o Robin - II". É uma das coisas mais engraçadas que já vi. Excelente atuação, patrão Bruce!!! :)


A única crítica ao trabalho da Mondo Vazio é que o site é muito, mas muito pesado. É simplesmente impossível abrir o site usando uma conexão discada. Mas se você tem acesso a banda larga, não deixe de conferir as aventuras do grande herói paulistano, clicando aqui. Para saber mais sobre o personagem de Eric Lovric (que foi muito gente fina todas as vezes em que entrei em contato), clique aqui.


Um abraço, e até a próxima!


PS.: um abraço para meu irmão de armas War Hawk Stewart, que tem dado uma força enorme para o progresso do Brasilverso.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A "nova" Turma da Mônica


Recentemente as revistas da turminha migraram para uma nova casa, a editora Panini, reiniciando sua numeração. Como bom colecionador, não pude resistir a tantas "número 1" nas bancas, e comprei logo todas. Foi assim que me dei conta de uma revolução nos quadrinhos da turma da Mônica. Cada uma das edições contava com uma história surpreendente, carregada de nonsense. A hq de abertura da revista do Chico Bento é um belo exemplo disso. A trama é bem simples, nada de tão diferente do que se espera do personagem: o caipira está com problemas na escola por ser muito distraído. Até aí, normal. Mas em dado momento, Chico se distrai com uma borboleta que, alguns quadrinhos depois, se transforma numa espécie de ninfa seminua, dançando entre sátiros e faunos, e seduzindo o menino - até que a professora intervém na imaginação de Chico, escorraçando a fada aos gritos de "fora, mariposa pagã!" É muito louco!

Outra impressão que tenho é que os estúdios Maurício de Sousa contrataram alguns nerds para os roteiros, tantas são as citações que têm aparecido nas histórias. Só pra ter uma idéia, uma edição especial de alguns meses atrás foi uma sátira do seriado mega-boga Lost.

Uma minissérie apresentou a personagem Tina, bem como seus amigos, em uma nova roupagem, mais moderna. "Tina e os caçadores de enigma" é um achado, com o Rolo discutindo Star Wars com o Zecão e chamando uma amazona de Xena, só pra dar alguns exemplos.

Celebrando o centenário da migração japonesa foi lançado Momochico, versão alternativa da história de Momotaro, com o Chico Bento no lugar do menino japonês que nasceu de um pêssego. Só pelo quadrinho em que o camponês caipira-oriental chama a esposa de "honoráver muié" a revista já vale a pena.

Um passo mais arriscado, programado para breve, é a estréia da "Turma da Mônica jovem", com estética mangá (essa eu confesso que estou com pé atrás).

Que me perdoem aqueles que só curtem quadrinhos de super-heróis, mas eu faço parte do enorme grupo que cresceu lendo a turma da Mônica. Eu me divertia muito com as historinhas, e guardo com orgulho minha cópia da edição número 1 autografada pelo mestre Maurício. Assim, foi muito bom redescobrir a turminha e perceber que ainda dá pra rir (e muito) com as suas aventuras.
Pra quem duvida, fica aqui o meu convite: vão até o site da Mônica, na sessão "histórias seriadas" e procurem por "o concurso de Denises", prato cheio pra quem gosta de metalinguagem bem-feita. Depois me digam o que acharam.


Até o próximo post!
Coelho Branco (primo de um certo coelho azul famoso)

sábado, 12 de abril de 2008

Apresentando o Brasilverso



Saudações, pessoal. Aqui mais uma vez é o Coelho Branco, tirando uma folguinha no combate ao crime pra bater um papo com os amigos do Brasilverso.

O assunto de hoje deveria ter sido tratado no primeiro post, mas eu estava tão empolgado com a nova e luxuosa edição da Mirza que acabei me atropelando todo. Com um pouco de atraso, então, deixe eu falar um pouco sobre o nosso amado site dedicado aos quadrinhos nacionais.

A história é a seguinte. Logo que comecei a ler o RPG Mutantes e Malfeitores (na época ainda em sua edição em inglês, Mutants & Masterminds) fiquei empolgado com a idéia de criar meu próprio cenário. Uma espécie de "o que aconteceria se os super-heróis existissem de verdade?". Decidi então situar o cenário no Brasil e criar todo um rol de super-heróis brasileiros. Só depois eu comecei a pesquisar e me dei conta que super-heróis brasileiros JÁ EXISTIAM, e aos montes!

Pouquíssima gente sabe – mesmo entre os maiores fãs de quadrinhos – mas o Brasil possui seus próprios super-heróis. Muito tempo atrás as bancas de jornal fervilhavam com as revistas em quadrinhos de personagens brasileiros como o Capitão 7, o Judoka, Raio Negro e muitos outros. Foram personagens extremamente populares em suas épocas, mas que com o tempo desapareceram. Existem também os novos heróis nacionais, publicados em fanzines, páginas da Internet ou em revistas pouco conhecidas, de tiragem limitada. Acho injusto que o trabalho de tantos artistas brasileiros permaneça esquecido enquanto os super-heróis estrangeiros usufruem de um espaço absurdamente maior entre os leitores. Foi pensando nisso que finalmente nasceu a idéia deste site.

Existem, espalhados pela rede, dezenas de sites e blogs mantidos por leitores apaixonados que se recusam a deixar que os heróis nacionais desapareçam. Com esse mesmo espírito, o Brasilverso ousa a se propor como a maior e mais completa base de dados sobre os super-heróis brasileiros. Claro que, para atingir esse objetivo nada modesto, precisará da ajuda de todos os que estiverem dispostos a colaborar com mais informações, novos personagens e muito mais. Ou seja, trata-se dum universo em expansão, construído para os leitores e pelos leitores.

Não deixe de participar: suas críticas, sugestões e colaborações são muito, mas muito bem vindas mesmo. O site ainda está meio cru, meio desconjuntado... temos muito para melhorar e sabemos disso. Mas podem ter certeza que tudo é feito com muito carinho pra você.

Um abraço, e até a próxima.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Primeiro review: 40 anos de Mirza


Salve, salve, pessoal. Aqui quem vos escreve é Coelho Branco, o implacável vigilante de olhos vermelhos e pêlo branquinho. Para meu primeiro post, escolhi como tema uma revista bem recente, que ainda pode ser encontrada nas bancas: o especial de 40 anos de Mirza.

Nunca fui muito fã de revistas de terror, que hoje estão meio sumidas, mas existiam aos montes durante minha infância lá pelo começo da década de 80. Quando comecei minhas pesquisas para o site, porém, fui obrigado a conferir as histórias da vampira (ou melhor, 'mulher vampiro'). Foi uma ótima surpresa, nem tanto pelas histórias (que não são ruins, mas também não são extraordinárias), mas pelos fantásticos desenhos de Eugênio Colonnese. Mirza é uma mulher sofisticada, elegante e sedutora. O traço de Colonnese passa todas essas impressões, conferindo charme e credibilidade à HQ. O artista, que continua em atividade, também foi responsável por outros personagens clássicos dos anos 60, como o alienígena Mylar.
Em '40 anos de Mirza', como é ressaltado em sua introdução, a arte está um pouco diferente do usual, um tanto quanto 'suja', mas mantém o inconfundível brilho de Eugênio Colonnese. As histórias são simples e cativantes, e revelam detalhes interessantes sobre a condessa (como o seu nome verdadeiro e sua relação com outras criaturas da noite). O capricho da Editora Mythos foi um show à parte: papel especial, textos informativos sobre a personagem e seu criador, capa cartonada com detalhes brilhantes. O único porém é que tanto luxo acabou deixando o preço (R$ 19,90) um pouco alto demais para atrair leitores de primeira viagem. Colecionadores como eu, por outro lado, com certeza vão comprar sem medo – e sem arrependimento – esse belo exemplo de quadrinhos nacionais de qualidade.